Montar a vaga

Quais perguntas fazer no formulário de candidatura?

Por Recru · · 7 min de leitura

Em resumo

No formulário, só de 4 a 6 perguntas de Sim/Não sobre o que elimina de verdade: regime, trabalho presencial, horário, autorização para trabalhar. O que o currículo responde, ele responde sozinho. Perguntas abertas ficam para quem já avançou. A ordem certa é do mais barato para o mais caro para o candidato.

A pergunta certa no lugar errado espanta candidato.

Todo processo seletivo faz mais ou menos as mesmas perguntas: o regime, o horário, a experiência, o inglês, a pretensão, por que a pessoa quer a vaga. O que muda o resultado é onde cada uma está. Este guia mostra o que vai no formulário de candidatura, o que fica para o currículo e o que só deve ser perguntado no fim, e dá dois testes para decidir em segundos onde uma pergunta mora.

Em que ordem as perguntas devem aparecer?

A regra que seguimos no Recru: primeiro o que é objetivo e barato, depois o que está documentado, e só no fim o que pede tempo do candidato. Restrição, evidência, competência.

Cada etapa custa um pouco mais para quem se candidata, e cada uma recebe menos gente que a anterior. Por isso a pergunta mais cara precisa ficar onde há menos pessoas. Inverter essa ordem gasta o recurso mais caro, que é o tempo do candidato e o seu, com o maior número de pessoas.

EtapaO que você perguntaQuanto custa ao candidato
Formulário de candidaturaO que elimina de verdade: regime, presencial, horário, autorizaçãoAté 2 minutos
Leitura do currículoNada. O documento já dizNada
ConfirmaçãoOs requisitos que mais pesam na vagaPoucos minutos
EntrevistaPerguntas abertas, casos, situaçõesO tempo da conversa

Quais perguntas colocar no formulário de candidatura?

Só as que eliminam de verdade. Na nossa metodologia, são de 4 a 6 perguntas de Sim/Não, e a candidatura inteira leva até 2 minutos. Três tipos de pergunta passam nesse filtro:

  • Preferência. "Você aceita trabalhar no regime CLT?", "Você aceita o modelo híbrido com 3 dias presenciais?". O currículo não sabe, e mentir só faz o candidato perder o próprio tempo.
  • Restrição de agenda e local. "Você tem disponibilidade para trabalhar presencialmente em [endereço]?", "Você tem disponibilidade em horário comercial, de segunda a sexta?". É um fato sobre a vida da pessoa, não sobre a competência dela.
  • Situação legal. "Você tem autorização para trabalhar no Brasil?", "Você tem registro ativo no [conselho]?". Verificável, binário e eliminatório de verdade.

O formulário curto não é capricho. Uma pesquisa da CareerBuilder citada pela SHRM mostrou que 60% dos candidatos já abandonaram uma candidatura no meio por causa do tamanho ou da complexidade (SHRM). E candidaturas que levam menos de 5 minutos trazem 248% mais candidatos do que as que levam mais de 15 (Appcast e iCIMS (PDF)). Os dois dados são dos Estados Unidos. Quem desiste primeiro de um formulário longo costuma ser quem tem mais opções.

Uma regra vale antes de todas: a pergunta é sobre a vaga, nunca sobre quem a pessoa é. Idade, estado civil, filhos e afins ficam fora do formulário. O detalhe está em quais perguntas a lei proíbe na entrevista de emprego.

Como saber se uma pergunta pode ir para o formulário?

Faça dois testes antes de colocar qualquer pergunta no formulário.

Teste 1: o currículo já responde? Se sim, não pergunte. "Você tem graduação em Engenharia?" e "Você tem experiência com Python?" são leitura do currículo, não pergunta de formulário. Perguntar ainda cria um problema: a resposta pode contradizer o documento, e aí você tem duas versões da mesma informação na primeira etapa.

Teste 2: mentir aqui prejudicaria o próprio candidato? Se não, todo mundo responde sim. Quem mente sobre o regime de contratação descobre na proposta e perde o próprio tempo, então a resposta tende a ser honesta. Quem mente sobre o próprio nível de uma habilidade não perde nada naquele momento, então a pergunta não separa ninguém.

Uma pergunta só entra no formulário se o currículo não responde e se mentir custaria algo ao candidato.

Por que "Você tem inglês avançado?" não filtra ninguém?

Porque é capacidade autodeclarada. Ela não passa no segundo teste: dizer "sim" não custa nada no formulário, então quase todo mundo diz. O filtro parece funcionar, porque a vaga continua recebendo gente "com inglês avançado", mas não separa quem tem de quem não tem.

O mesmo vale para "Você tem domínio de Excel?" e "Você se considera organizado?".

Inglês não é pergunta de Sim/Não. É uma pergunta da entrevista feita em inglês. Domínio de ferramenta é um critério que se comprova no currículo ou numa pergunta sobre uma situação real do trabalho.

O que o currículo responde sem você perguntar?

Formação, tempo de experiência, empresas, cargos, ferramentas e resultados já estão no documento. Ler não custa nada ao candidato, então dá para analisar todos os inscritos sem perder ninguém no caminho.

Na leitura, vale mais o que é específico e verificável do que a palavra-chave: quanto tempo a pessoa ficou, o tamanho do time, o volume, o sistema que usou, o resultado com número. Currículo escrito para bater palavra-chave costuma vencer na palavra e perder na especificidade.

Quando confirmar com o candidato o que o currículo diz?

Depois da leitura, para quem passou por ela. É aqui que a pergunta que era proibida no formulário passa a ter valor.

O candidato confirma, ele mesmo, se atende os requisitos que mais pesam na vaga. Como o currículo já foi lido, cada resposta é cruzada com o documento. Quem escreveu "5 anos de React" e marca que não atende, ou o contrário, aparece marcado. No Recru, essa contradição vira um alerta para você olhar, nunca uma reprovação automática.

A mesma pergunta muda de função conforme a etapa: no formulário ela não filtra nada; depois da leitura do currículo, ela expõe a incoerência.

Onde ficam as perguntas abertas?

No fim, só para quem avançou. "Conte uma situação em que você...", "Como você resolveria...", "Por que esta vaga?" pedem tempo e esforço. Feitas no formulário, para centenas de pessoas, elas afastam justamente quem tem mais opções e geram um volume de texto que ninguém consegue ler com cuidado.

Feitas depois, o candidato já sabe que está perto, e você lê poucas respostas com atenção. É também onde entram a pergunta em inglês e os casos práticos da função.

Checklist para montar o formulário

  1. Tem de 4 a 6 perguntas de Sim/Não, e a candidatura inteira leva até 2 minutos.
  2. Cada pergunta elimina de verdade: regime, presencial, horário, local, autorização, registro.
  3. Nenhuma pergunta que o currículo já responde (formação, anos de experiência, ferramentas).
  4. Nenhuma capacidade autodeclarada ("tem inglês avançado?", "domina Excel?").
  5. Nenhuma pergunta aberta em texto longo.
  6. Nenhuma pergunta sobre quem a pessoa é: idade, estado civil, filhos, origem.
  7. Os requisitos que mais pesam são confirmados depois da leitura do currículo, e a contradição vira alerta.

Quer esse mapa em uma folha para usar na próxima vaga? Baixe o modelo "Onde cada pergunta mora". Se preferir que o funil já saia montado nessa ordem, monte a vaga no Recru.

Perguntas frequentes

Quantas perguntas deve ter um formulário de candidatura?

Na nossa metodologia, de 4 a 6 perguntas de Sim/Não, com a candidatura inteira levando até 2 minutos. Mais do que isso costuma significar que há perguntas que o currículo já responde ou que deveriam ficar para depois.

Posso perguntar a pretensão salarial no formulário?

Pode, como campo da candidatura. É uma informação que o currículo não traz e que muda a decisão. Em vez de cortar automaticamente quem passa um pouco do teto, vale sinalizar: muita gente boa fica fora por pouca diferença.

Devo perguntar o nível de inglês no formulário?

Não como Sim/Não. Quase todo mundo responde que tem, então a pergunta não separa ninguém. Faça uma pergunta em inglês na entrevista.

Posso colocar perguntas abertas na candidatura?

Evite. Elas pedem tempo de todos os inscritos, afastam quem tem mais opções e geram mais texto do que dá para ler com cuidado. Deixe para quem avançou.

O que fazer quando a resposta do candidato contradiz o currículo?

Trate como um alerta para olhar, não como reprovação automática. Pode ser erro de leitura, currículo desatualizado ou exagero. A contradição é um bom ponto para perguntar na entrevista.